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Domingo, Março 11, 2007
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exaltado por atirador mais ou menos às 2:25 PM
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exaltado por atirador mais ou menos às 2:24 PM
Segunda-feira, Agosto 21, 2006
Exasperava-me ver, todas as tardes, as folhas secas cobrindo o jardim, as mesmas que eu recolhia resignado e renitente após o café da manhã. Não posso me lembrar ao certo como e por que tomei a decisão. Era uma típica manhã de agosto, o céu rajado anunciava a chuva, eu havia terminado de amontoar e ensacar as folhas, e percebi a quantidade de ervas daninhas tentando se dissimular na grama e entre as moitas de flores. Imediatamente ajoelhei e comecei a arrancar as intrusas, uma a uma, quase enfurecido. Quando me dei conta, arrancava o mato e as flores, clandestinas ou não, indistintamente. Ao terminar, restava apenas a grama verde e perplexa, e as duas árvores, uma em cada extremidade do jardim dilacerado. Comecei a arrancar a grama por um dos cantos do terreno, extraindo os ramos um a um, metódico, até limpar toda sua extensão. As árvores, insatisfeitas, impuseram resistência, mas derrubei-as a golpes de machado. Remover as raízes foi bastante trabalhoso e me tomou quase duas horas, ainda mais tempo do que levei para partir o tronco em pedaços que fosse capaz de carregar. Ao terminar, quase exausto, levei tudo para o centro do terreno, e usei um ancinho para juntar aos pedaços de madeira as folhas, caules e flores arrancados. Atear fogo foi fácil, bastou-me uma generosa quantidade de álcool, e passei as horas seguintes deitado de bruços sobre a terra revolvida, observando a fogueira primeiro crepitar e estalar, para então apenas emitir um chiado constante, até extinguir-se em cinzas. Espalhei-as sobre todo o terreno, enquanto as gotas, tardias, começavam a cair. Voltei à varanda , sentei-me na cadeira de vime, apanhei o caderno e o lápis sobre a mesinha, contemplei a chuva por alguns instantes, e recomecei a escrever.
exaltado por atirador mais ou menos às 1:12 PM
Domingo, Agosto 06, 2006
Dia 2
02:40. Acabei de chegar do nosso querido Belmonte. A mesa do bar é uma metáfora do mundo, e nos demonstra várias coisas - dessa vez, que o importante não é a situação, e sim as pessoas.
Hoje Jack me fez passar vergonha mais uma vez, me levando para a casa de pessoas que eu não conhecia, num aniversário em família no qual eu era completamente estranho, na casa de um monge budista parecido com um pirata de filme dos anos cinqüenta. Das três filhas, uma destoava, bastante semelhante à mãe (que, segundo consta, é escritora, exilada na Costa Rica). Gostava de flores.
Forço-me a dizer que, apesar das boas lembranças, o Belmonte foi ofuscado pelo melhor chopp do mundo.
O tal do livro ficou no porta-malas da baratinha. Droga.
exaltado por atirador mais ou menos às 3:11 AM
Sábado, Agosto 05, 2006
Dia 1
8:00. Depois de mais de oito horas de pescoço torto e um jantar frustrado no Anjo Dourado, chegamos na limpa e calma rodoviária do Tietê, famosa por ser a maior concentração de gente bizarra do mundo, superando, por pouco, a feira de Mumbai, no sul da Índia. Metade foi pra Salto Lake City via Campinas, metade foi tomar café na liberdade. Pegamos o metrô, abarrotado de gente de cara amassada, unhas sujas e gel no cabelo (será que paulistas gostam mesmo daqueles topetinhos ridículos?) e descemos na frente de uma banca cheia de jornais em japonês, na frente de uma loja cheia de coisas em japonês, ao lado de outras lojas cheias de pessoas em japonês. Quase nada abria antes das nove e meia, então enrolamos um pouco no viaduto vendo os carros passarem. Jack achava inacreditável o fato de que se jogássemos uma garrafa num dos carros lá embaixo ninguém iria nos descobrir, mesmo se o motorista, pai de família, casal de filhos em curitiba, corretor imobiliário, de férias na metrópole, perdesse o controle e batesse o carro num poste, rachando a cachola e indo pro beleléu. Não sei por causa disso ele pensava que aquele seria um bom lugar para um executivo fechar negócios.
Comemos na mesma padaria, não sei se tem croissant no Japão, reais escasso foram gastos em pedrinhas de plástico brancas e pretas e quadrinhos ao contrário, e voltamos ao metrô, dessa vez rumo ao conjunto nacional para comprar livros em inglês que não existem na ilha. Fumaça dá sede, água dá vontade de mijar, mas só tinha banheiro na galeria ao lado, e era necessário pegar uma senha em alguma loja, "porque senão o pessoal faz muita bagunça", dizia o porteiro. Cada pessoa deveria ter direito a parte do orçamento da União para comprar livros todo mês, isso sim deveria ser o projeto da renda mínima. Mas brasileiro não tem tempo pra ler, já dizia não sei se a pata ou a beata, e a lei não iria pegar.
Judiaram tanto da baratinha que ela agora não pára de engasgar, mas mesmo assim chegamos no engarrafamento na Avenida Brasil. Algumas reminiscências sobre o Chico e o rei da Espanha depois (meu palpite é que é mentira, claro) chegamos na casa do Cabeça, onde montei acampamento. Tomei banho, tomamos algumas escóis, meu irmão gosta, fazer o que, fomos buscar a xará no Tom Jobim e levá-la para reencontrar, quatro anos depois, sua cidade natal e sua amiga de infância, que junto com o jagodes compõe o casal guaraná light. Após alguns pães de queijo (era bom, a família é de minas) e coincidências sobre personagens valparaibanos, fomos comer o famoso, delicioso, inigualável e caro saduíche de pernil com abacaxi do Cervantes. Confirmei que o da Sanduicheria da Ilha não chega nem perto, e o do Botequim é uma tentativa sincera, porém sofrível.
Fizemos o indispensável tour da nostalgia, passamos pelo Teresiano e pela Sambaíba, e voltamos para o Jardim Botânico, onde uma partida de pôquer agonizava pedindo mesa. O casal goiano foi para a casa do casal guaraná light, e eu fui dormir exausto, não consegui ler nem uma página do livro em inglês que não existe na ilha.
exaltado por atirador mais ou menos às 2:12 PM
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